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04.04.2008 - stress e ansiedade
- Pergunta:
Carissímo
Chamo-me Fernanda Sesifredo, tenho 35 anos, duas filhas e sou portadora de EM há treze anos. Tendo em conta que desenvolvo uma actividade laboral muito intensa (produção e distribuição de conteúdos no Gabinete de Informação do Municipio local) e estou a estudar, tenho com muita frequência alguma ansiedade e tenho constatado que o stresse me tem vindo a prejudicar fisica e psicologicamente. Tenho muita dificuldade em concentrar-me e descontrolo-me cada mais com mais frequência. Já falei com o meu neurologista que aconselhou a ficar de baixa algum tempo e a suspender os estudos temporariamente. Acontece que adoro o meu trabalho, visto ser uma pessoa bastante activa e também me dá muito prazer estudar. Solicito aconselhamento nesta área pois não quero optar pela automedicação pois posso estar a cometer algum erro e a prejudicar a minha saúde.
Grata pela atenção dispensada.
Saudações.
Fernanda Sesifredo- Responder:
D. Fernanda Sesifredo
O envolvimento e o interesse que demonstra nas múltiplas actividades que realiza permitem indicar que uma paragem não será aconselháel, a não ser que se sinta tão exausta que o deseje fazer, o que não parece ser o caso.
No entanto, como refere dificuldades de concentração e é sabido que uma percentagem significativa de doentes com esclerose múltipla apresenta algum grau de défice cognitivo, aconselha-se que fale com o seu neurologista no sentido de fazer uma avaliação neuropsicológica. Do mesmo modo, o descontrolo que refere poderá estar relacionado com depressão, situação algo frequente na EM, podendo estar indicado consultar um psiquiatra para ser eventualmente medicada.
Quanto ao stress, não há até à data evidência científica suficiente para o relacionar quer com o início da doença quer com o aparecimento de surtos; e as escassas publicações sobre a matéria mostraram que o stress crónico do dia-a-dia não é relevante (boas noticias!), mas sim o stress agudo, sobretudo quando há ocorrência simultânea de diversos acontecimentos graves que perturbam e interferem com a vida diária.
Por último, gostaria que transmitir que a esmagadora maioria dos doentes com EM estão em vida activa a desempenhar as suas profissões e que a ocorrência de ansiedade e algum grau de depressão é vulgar em todas as doenças crónicas como a EM, sobretudo em pessoas da sua faixa etária que "combatem em diversas frentes": realização profissional, desenvolvimento pessoal, família, vida doméstica, etc., etc. Por isso não esmoreça, antes procure abordar com o seu médico todos estes assuntos de forma aberta.
