Histórias Pessoais
Os prazeres de viajar em grupo: Christiane G.
A jornalista e autora Christiane G., com 53 anos, tem o diagnóstico de EM há mais de 20 anos. Ela sofre da forma por surtos da doença, na qual a maioria dos sintomas manifestados durante um surto, tais como a paralisia facial, regridem novamente durante a remissão. Os sintomas que permanecem são os distúrbios do equilíbrio e as dificuldades visuais. A jornalista adquiriu muita informação acerca da doença e escreveu o pós-escrito do livro Multiple Sclerosis: New hope for people with MS de Louis J. Rosner and Shelley Ross. O seu grau de deficiência permite-lhe viajar quase como a maioria das pessoas.
Há alguns anos atrás, eu estava de novo apaixonada, e queria ir à Nicarágua mais do qualquer outra coisa no mundo. Apesar de estar consciente dos problemas, tomei a vacina recomendada e fui. Na Nicarágua vivi nos hotéis mais simples, que tinham camas e casas de banho fracas. A comida raramente era boa, e o clima húmido atingiu-me. Sofri um surto grave após o meu regresso. Apesar disso não me arrependo de ter cumprido o meu sonho. Entretanto, hoje em dia abstenho-me de fazer passeios com mochila às costas e certifico-me que durmo sempre em hotéis confortáveis. Planeio as minhas viagens com muito mais cuidado. Nos países do sul evito parar nas lojas de comida de rua e evito comer gelados e frutas com casca. Para mim, a chave do sucesso de uma viagem são os aspectos interpessoais. Em passeios de grupo coloco um elevado valor na segurança emocional, supervisão e cuidado dos amigos, e a aceitação geral das minhas limitações físicas.
Informo sempre os meus companheiros de viagem da minha doença durante as fases iniciais do planeamento. E clarifico logo que posso retirar a minha participação se necessário. Graças a estas medidas fui capaz de apreciar completamente uma visita de estudo à Jordânia no último ano. Sabia que iria ser extenuante, quente e poeirento e por isso fiz alguns compromissos pessoais no programa; não fui à excursão de jipe através do deserto para Petra. Abstive-me de ter muitas experiências num dia. Gosto muito de bazares, mas se permanecer neles durante muito tempo, fico tonta. Por vezes em vez de sair para os cafés com os outros, escolho recolher-me para o meu quarto.
Fui capaz de aproveitar esta viagem ao máximo. Todo o grupo demonstrou compreensão pela minha situação e toda a gente foi muito respeitosa.
Enquanto viajo certifico-me que:
- faço pausas individuais sempre que necessito;
- não tenho que permanecer sentada durante longos períodos de tempo;
- fico num lugar da coxia do avião em vôos de longa distância e duração;
- tenho sempre uma lanterna comigo.

