Gravidez
A Gravidez e a EM
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Introdução
Uma vez que a EM é uma doença que geralmente afecta os jovens e é mais comum nas mulheres do que nos homens, o impacto que a doença pode ter na possibilidade de ter filhos é obviamente um assunto importante. Esta página lida com temas tais como o efeito da gravidez na taxa de surtos, a saúde da criança e de que forma o tratamento é afectado.
Podem as mulheres com EM ter filhos?
A EM não tem qualquer efeito na capacidade de uma mulher se tornar grávida e ter uma criança normal e saudável. Os bebés nascidos de mulheres com EM são, em média, de peso normal e sem risco aumentado de incapacidades físicas ou mentais. No entanto é importante que antes de ficar grávida, as mulheres com EM levem em conta tanto os graus de incapacidade actuais e possíveis e o efeito que isto pode ter na sua capacidade para cuidar de uma criança durante os próximos 18 anos. Um apoio contínuo será essencial, sobretudo nos 3 meses após o nascimento quando as hipóteses de um surto são maiores.
Efeito da gravidez na taxa de surtos e progressão
Na EM por surtos, parece que existe um risco reduzido de sofrer um surto durante a gravidez, sobretudo durante o último trimestre. No entanto, este período é seguido por uma maior probabilidade de surto durante os três meses após o parto que pode ser devida a alterações hormonais. No cômputo global, a taxa de surtos não é afectada pela gravidez. A progressão da incapacidade não é aumentada pela gravidez e pode até reduzir-se.
Tratamento antes e durante a gravidez
Quando existem boas hipóteses de uma mulher ficar grávida, e após consulta com o seu médico, a toma de interferão-beta deverá ser interrompida. A decisão de administração de esteróides para os surtos terá de ser feita entre a futura mãe e o seu médico, levando em conta o risco para o feto e a gravidade do surto.
O parto
O parto deverá ser realizado num hospital com parteiras e médicos completamente conscientes do facto da mulher ter EM. Se existir uma paralisia significativa ou perca de sensação, então deverá ser feita uma monitorização constante durante o ultimo mês. Ainda não é claro se a anestesia epidural tem algum efeito na taxa de surtos e tal procedimento deve ser discutido com o anestesista.
Cuidados durante a gravidez
As mulheres com EM muitas vezes sentem-se cansadas quando grávidas, sobretudo durante o primeiro trimestre. A obstipação e as infecções urinárias são mais comuns e no final da gravidez as mulheres com EM podem sentir-se mais instáveis enquanto caminham, sendo necessárias precauções extra. É importante que sigam os conselhos dados a todas as mulheres grávidas de:
- Comer uma dieta saudável e equilibrada;
- Evitar o stress e descansar bastante.
Amamentação
A amamentação não afecta a taxa de surtos e as mulheres com EM podem amamentar os seus filhos se não for muito extenuante. Alguns tratamentos são eliminados pelo leite materno tornando a amamentação desaconselhável.
Transmissão da EM
A EM não está incluída entre as doenças hereditárias, apesar dos familiares de uma pessoa afectada terem um risco maior em relação ao resto da população, de serem afectados pela EM.
Calculou-se que o risco de sofrer de EM é, para a população normal, de 0,5% enquanto que este risco pode aumentar até 2,5% numa filha de mãe com EM (no entanto o risco continua a ser tão baixo que não se desaconselha ter filhos); noutro grau de parentesco, o risco é inclusivamente inferior.
Referências:
Multiple sclerosis and pregnancy. Lorenzi AR, Ford HL. Multiple sclerosis and pregnancy. Postgrad Med J 2002;78:460-464.
Confavreux C, Hutchinson M et al. Rate of pregnancy-related relapse in multiple sclerosis. The New England Journal of Medicine 1998;339(5):285-291.
Elenkov IJ, Wilder RL et al. IL-12, TNF-a, and Hormonal Changes during Late Pregnancy and Early Postpartum: Implications for Autoimmune Disease Activity during These Times. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism 2001;86(10):4933-4938.

