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Problemas sexuais

Sexualidade e EM

A sexualidade e os problemas sexuais são tão importantes para os portadores de EM como para a população saudável. Enfrentar tais dificuldades exige uma relação de grande confiança com a pessoa com a qual confidencia, independentemente de ser o marido/mulher ou parceiro, médico, psicólogo ou o assistente social. Muitas pessoas - saudáveis e doentes - acham difícil falar acerca dos seus problemas sexuais com as outras pessoas. Retiram-se e pensam muito para si próprias iniciando assim um círculo vicioso.


Problemas sexuais e EM


No caso dos portadores de EM, existem diferentes causas para os problemas sexuais que precisam de ser consideradas:
Por um lado, a carga emocional e psicológica associada à EM pode ser tão grande que o doente simplesmente perde todo o prazer na sexualidade e não sente qualquer motivação ou desejo de uma demonstração física do amor que sente pelo seu parceiro.
Por outro lado é também possível que a doença ou a incapacidade causada pela EM possam tornar a actividade sexual problemática. Geralmente ambos os factores são relevantes.



Alguns doentes têm medo da actividade sexual porque acreditam que ao envolver um grande esforço, a sua EM iria apenas piorar ou poderia ocorrer um novo ataque (surto) da doença. Certamente que esta ansiedade é desnecessária.



É importante ver os problemas sexuais no contexto da situação completa do portador de EM e do seu(sua) parceiro(a), possivelmente mesmo com a família como um todo, e não como um problema individual.


Questões a responder

Existem uma série de questões que alguém com EM deverá perguntar a si próprio quando aparecerem os problemas sexuais:
- O início da doença mudou as minhas sensações sexuais?
- O meu parceiro perdeu interesse em mim?
- Para que tipo de práticas sexuais nos podemos orientar se as relações sexuais não forem fisicamente possíveis devido a falta de erecção, ou sensações dolorosas ou aumento da rigidez muscular nos músculos da coxa (espasmos do aductor)?
- Que efeitos têm as medicações na minha sexualidade?
- Que tipo de método contraceptivo é aconselhável?


Problemas e tratamentos

A seguir daremos exemplos de diferentes formas de disfunção sexual.


Problemas de erecção

Nos doentes do sexo masculino, a dificuldade ou incapacidade de erecção podem ocorrer devido a um episódio recente da doença, fraqueza corporal geral ou por causas emocionais ou psicológicas. Diferentes tipos de estimulação, tais como uma estimulação táctil e das zonas erógenas, podem ser discutidos com o doente e parceiro. As razões possíveis para a dificuldade na erecção são individualmente examinadas e determina-se se o problema tem como causa um factor orgânico ou psicológico. É importante saber que ao atacar o sistema nervoso em geral, a EM pode também ter um impacto nas reacções sexuais do corpo.


Tratamentos disponíveis para problemas de erecção

(NEM TODOS OS PRODUTOS ESTÃO DISPONIVEIS)
Para os problemas de erecção estão disponíveis tratamentos que actuam ao relaxar os vasos que mantêm o sangue no pénis produzindo uma erecção1,2:
O Sildenafil tem sido utilizado com sucesso em ensaios para o tratamento da disfunção eréctil em portadores de EM. É um tratamento oral tomado cerca de uma hora antes do acto sexual tendo efeitos numa grande percentagem daqueles que o usam, permitindo-lhes alcançar uma erecção total e uma relação de penetração.3
Outros produtos deste tipo irão ficar disponíveis.
A Yohimbina é um medicamento derivado da casca de uma árvore Africana que também é administrado oralmente e pode ajudar a alcançar uma erecção.



Outros medicamentos têm de ser injectados directamente no pénis utilizando uma agulha especial muito fina.1,2
Estes incluem:
O Alprostadil que é uma hormona chamada Prostaglandina E1 que também pode ser injectada no final do pénis
A Papaverina, derivada sa papoila branca, é muitas vezes associada à fentolamina que actua nos nervos que controlam o abastecimento de sangue ao pénis.



Existem também alguns objectos mecânicos que podem ser usados incluindo bombas de vácuo e talas que podem ser inseridos no pénis e endurecidos quando necessário.1



É necessário um exame urológico e uma titulação individual da dose sob estrito controlo pelo médico quando são usados medicamentos.


Problemas de ejaculação

Outra desordem possível envolve a própria ejaculação, que pode ser atrasada ou não ocorrer de todo. Existem também casos raros de ejaculação retrógrada, significando que o sémen não sai pelo pénis, mas reflui para a vesícula. Os problemas de ejaculação são causados igualmente por factores neurológicos e psicológicos, ou ambos simultaneamente.



A perda da experiência de um orgasmo pode levar à auto-dúvida e à perca da auto-confiança. Se uma relação for caracterizada pelo afecto mútuo e amor, podem ser consideradas outros tipos de práticas sexuais para satisfazer o apetite sexual natural, tais como as relações orais ou a satisfação manual mútua.


Outros problemas

O aumento da tensão muscular (espasmo) nas coxas superiores pode tornar as relações sexuais dolorosas ou mesmo impossíveis. Tais espasmos podem ser aliviados com medicação. É importante cumprir o tempo de administração desta medicação de forma a alcançar o melhor efeito possível.



Para as mulheres, a redução da sensação na área genital pode conduzir à secura da vagina, existindo diversos produtos para ajudar a resolver este problema.



Para os doentes que sofrem de incontinência, os problemas sexuais podem surgir devido ao medo do urinar não controlado ou movimentos da bexiga durante o acto sexual. Pode ajudar a redução da ingestão de líquidos e o esvaziamento da bexiga imediatamente antes da actividade sexual.
A fadiga prematura em algumas pessoas com EM pode levar a uma simples falta de energia no final do dia. Fazer amor em alturas diferentes do dia pode ser uma maneira de ultrapassar este problema.


Contracepção

O problema da contracepção não é diferente para as pessoas com EM ou para qualquer outra pessoa. Todas as medidas contraceptivas normais, incluindo a pílula, são adequadas para os doentes com EM. No que respeita à pílula, existem os mesmos riscos de efeitos secundários que para as mulheres saudáveis, sobretudo as fumadoras.



O DIU (dispositivo intra-uterino), é um contraceptivo hormonal para as mulheres (ex. mães recentes) que queiram utilizar uma contracepção reversível de longo prazo. Outras alternativas são os diafragmas utilizados juntamente com gel ou spray espermicida, supositórios vaginais ou preservativos.



O importante é que a pessoa com EM aprenda a falar abertamente acerca de tais problemas e que as soluções sejam resolvidas em colaboração com o parceiro, e se necessário com a ajuda de profissionais de saúde.


Referências



1 Kappeler T. Medikamentöse Therapie der erektilen Dysfunktion. Pharma-kritik;18(8), 21. Jan.1997 Infomed/pharma-kritik/artikel. www.infomed.org/pharma-kritik/pk08a-96.html



2 Lammers PI, Rubio-Aurioles E et al. Combination therapy for erectile dysfunction: a randomized, double blind, unblinded active-controlled, cross-over study of the pharmacodynamics and safety of combined oral formulations of apomorphine hydrochloride, phentolamine mesylate and papaverine hydrochloride in men with moderate to severe erectile dysfunction. International Journal of Impotence Research 2002;14(1):54-59.



3 Sadovsky R, Miller T et al. Three-year update of Sildenafil citrate (Viagra®) Efficacy and Safety. International Journal of Clinical Practice 2001;55(2):115-128.


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