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Nutrição e EM - Caso de sucesso

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01 - 02.04.2008, 16:28

Em 1998, eu, um jovem de 24 anos, licenciado em Fisiologia do Exercício (nos EUA), estava no Reino Unido, a trabalhar numa clínica de reabilitação cardíaca e no último ano da minha segunda licenciatura (em Bioquímica), quando o meu irmão foi diagnosticado com EM (na altura tinha 14 anos). Os tratamentos médicos existentes não trouxeram quaisquer esperanças, pelo que decidi investir parte do meu tempo a utilizar os meus conhecimentos científicos a pesquisar os vários factores ambientais que poderiam estar na origem da EM, bem como aquelas que poderiam agravar ou travar a progressão da patologia, uma vez já instalada.

E assim que terminei a licenciatura em Bioquímica, regressei a Madrid (minha terra natal, apesar do meu pai ser português), para dar apoio à família e ingressei num mestrado em Nutrição Clínica, que deu origem a um projecto de doutoramento em Nutrição e Imunologia, podendo dizer que a minha área mais forte é a ligação entre a Nutrição e a auto-imunidade (que é isso que a EM é: uma doença auto-imune). Actualmente, sou professor universitário e dou, uma vez por semana, consultas de Nutrição, numa clínica, em Espanha.

Apenas quis explicar o meu percurso académico para mostrar que não sou um bruxo ou curandeiro ou outra designação qualquer, mas sim um homem de ciência, que já passou muitas horas a estudar a EM e que tem bases académicas e científicas sólidas.

Para resumir a história, na altura (em 1999) conheci alguns indivíduos que tinham teorias revolucionárias sobre a EM e em contacto com eles e lendo todos os estudos que suportavam estas teorias, decidi colocar em, prática no meu irmão (depois de me certificar que seria seguro) e nos últimos anos, temos vindo a refinar o método. O que posso dizer é que desde 2000 que ele está até hoje sem sintomas, mas cumpre religiosamente tudo o que lhe recomendo.

A teoria é complexa, mas poderei explicá-la melhor, caso haja interesse da vossa parte.

De qualquer modo, um dos indivíduos que me ajudou e que admiro muito, por ter sido um dos pioneiros a aplicar estes conceitos (neste caso, no seu filho) é o Ashton Embry, que fundou uma associação que já conseguiu fundos para financiar dois estudos a testar a teoria. O site, que aconselho vivamente é:

www.direct-ms.org/...

Não pretendo qualquer fama ou fazer negócio (os meus pais deixaram-me numa situação financeira muito boa e posso dizer que sou um profissional de sucesso e que tem paixão pelo que faz, que é ensinar e fazer investigação) e até pretendo manter-me no anonimato, pelo que não revelo o meu verdadeiro nome.

Aquilo que quero é passar a mensagem, para que os médicos percebam que a Nutrição é muito mais que cálculos calóricos para ganhar ou perder peso e que afecta todos os aspectos da fisiologia humana, e para que as pessoas com EM possam ter outra esperança.

Espero questões e feedbacks.

Cps

JM

jmartinez

 

02 - 02.04.2008, 17:37

Estou muito interessada nessa área. Na verdade, descobri que tenho esclerose há 7 meses, tenho 26 anos, e sempre pesquisei muito sobre a alimentação. Comecei ontem a tomar óleo de onagra em cápsulas, pois li que poderia fazer bem à Esclerose múltipla. No entanto, gostava de ter mais pormenores.
Obrigada,

lininha

 

03 - 02.04.2008, 18:01

Caro JM,

O que nos está a pedir e que tenhamos fé nas suas palavras, que acreditemos nelas como verdades irrefutáveis, não nos permitindo, contudo, comprovar as mesmas.

Interessante forma de abordar pessoas que estão fragilizadas com uma doença ainda incurável e que se agarram a tudo para...

Infelizmente não se trata de uma questão de fé!...

Saia do anonimato, identifique-se, permita que saibamos quem é... depois, logo veremos.

Um Abraço

Rui Narciso

Rui Narciso

 

04 - 02.04.2008, 18:48

Percebo o seu ceptismo, pois eu mesmo sou céptico (afinal todos os cientistas são), mas quero manter-me no anonimato, porque sou um cientista reputado e como tal, nem deveria estar a prestar este tipo de informação num site deste género.

Eu não quero que acredite em nada e muito menos quero aproveitar-me de pessoas fragilizadas, mas já tive um dissabor no passado, ao fornecer diversos artigos (directamente por mail) a uma associação de Esclerose Múltipla, que nunca me respondeu, nem sequer a agradecer.
Assim, a partir de agora, primeiro pergunto se há interesse e só se houver, é que forneço as informações que me forem pedidas, mas caso contrário, não vou, novamente, gastar o meu tempo, a dar informações que poderão não interessar a ninguém.

Felizmente, já houve uma pessoa interessada em saber sobre os ácidos gordos essenciais e amanhã (hoje estou a terminar um trabalho) responderei adequadamente (com referências científicas e o local onde as poderão encontrar), pois é um tema que conheço em profundidade.
Apenas deixo já a dica que o óleo de onagra é normalmente usado pela sua riqueza em GLA, mas que apenas contém 10 a 12%, ao passo que o de borragem contém o dobro (cerca de 24%). Além deste aspecto, o GLA, em condições de baixa ingestão de Ómega 3, pode ser pró-inflamatório, pelo que se não estiver a ingerir várias vezes por semana fontes dietéticas de EPA e DHA (os 2 ácidos gordos Ómega 3 que modulam a resposta inflamatória e que existem na cavala e sardinha - o salmão, atum e bacalhau não são uma boa fonte, dada a riqueza em mercúrio), terá de tomar um suplemento.

Cumprimentos e até amanhã

JM

jmartinez

 

05 - 02.04.2008, 19:32

Caro JM,

Voltamos ao mesmo.

Acredito piamente que não lhe interesse que eu acredite ou deixe de acreditar, mas não impede que continue a pretender que os outros acreditem.

Para mim também me é indiferente o que afirma de forma não comprovada e anónima.

Estamos de novo perante uma questão de fé.

Se é (e nada me permite dizer o contrário), um cientista reputado, tem a obrigação social de afirmar os seus conhecimentos em beneficio dos seus concidadãos e da humanidade.

A sua reputação daria credibilidade à sua comprovada investigação, excepto se estivermos perante, o que agora se quer que seja uma prova cientifica, uma evidência irrefutável.

Mesmo nesse caso uma única evidência não constitui razão para se afirmar que um determinado óleo tem resultados curativos.

O óleo a que se refere foi objecto de um filme sobre uma determinada doença e ainda hoje existe controvérsia sobre o assunto.

O seu a seu dono. A fé para os crentes.

Um Abraço

Rui Narciso

Rui Narciso

 

06 - 02.04.2008, 21:22

Caro Rui,

Não se dê ao trabalho de responder a este tipo de abordagens que, como temos assistido, aparecem de vez em quando no fórum de forma mais ou menos elaborada. Esta contudo merecia o prémio de criatividade pela história do cientista que se sacrifica pela humanidade... os pais que o deixaram bem... enfim, os Gato Fedorento é que ainda não leram senão... lol.

Já agora vou escrever ao "cientista" para ele me passar esse método infalivel de controlo da EM, pois se ele não quer ficar rico eu não me importava.

Abraços

Resistir é Vencer !

Lucky guy

Lucky guy

 

07 - 02.04.2008, 22:26

Caro Lucky guy,

Agradeço o conselho e vou tentar segui-lo.

Um Abraço

Rui Narciso

Rui Narciso

 

08 - 02.04.2008, 23:37

Caríssimos, uma vez que a minha presença e história vos incomoda tanto, retiro-me para semopre do forum e vou pregar para outra freguesia. Não sabia que iria ser tão enxovalhado e ridicularizado.

Não voltarei a entrar neste forum, pelo que não vale a pena responderem.

De qualquer modo, tento explicar-vos a teoria, pois detesto passaar por charlatão e porque queria genuinamente ajudar:

No sistema imunitário humano existem mecanismos que permitem que o organismo distinga as suas próprias proteínas (tecidos) de proteínas estranhas, de modo que estas últimas possam ser reconhecidas, destruídas e eliminadas. Talvez o sistema mais complexo que a natureza, através da seleção natural, desenhou para este efeito seja o sistema HLA (Antígeno leucocitário humano). Este sistema foi descoberto, quando se verificou que os tecidos de outro ser humano não podiam ser transplantados para outro humano, sem haver rejeição. O motivo é simples: o objetivo deste sistema é iniciar uma resposta imunitária a parasitas (vírus, bactérias, etc.). Todas as células do nosso organismo produzem proteínas HLA, cuja função é ligar-se a peptídos (fragmentos protéicos) e colocá-los na superfície das mesmas (células). A maioria destes peptídos derivam das proteínas do organismo, mas quando o mesmo é infectado por uma bactéria ou vírus, as moléculas HLA “agarram” os peptídos derivados das proteínas da bactéria ou vírus e apresentam-nas aos linfócitos T. O objetivo dos linfócitos T é fazer, continuamente, um scan à superfície das outras células, de modo a reconhecer os peptídos invasores e ignorar os peptídos do próprio organismo. Quando um receptor das células T reconhece um peptído invasor, imediatamente se iniciam uma série de passos complexos, que resultam na destruição, quer da célula que apresenta o peptído invasor, como do vírus ou bactéria que apresenta seqüências de peptídos similares aquelas que foram apresentadas. Quando o sistema HLA deixa de conseguir distinguir peptídos invasores de peptídos do próprio organismo, os linfócitos T atacam os próprios tecidos, resultando no que é conhecido como uma doença auto-imune (doença celíaca, Diabetes tipo 1, EM, AR, etc.). As proteínas HLA que apresentam os peptídos invasores aos Linfócitos T circulantes são codificadas por seqüências de DNA no cromossomo 6. No cromossomo 6, o sistema HLA é dividido nos seguintes segmentos: CLASSE I: HLA-A, HLA-B e HLA-C e CLASSE II: HLA-DR HLA-DQ e HLA-DP. Pessoas com doenças auto-imune herdam determinadas combinações de HLA que identificam a sua doença. Por exemplo: pessoas com doença celíaca têm marcadores genéticos que são associados com a doença (HLA-DR3, HLA -B8 e HLA-DQ2); pessoas com Diabetes Tipo 1 têm quase sempre os genótipos DQ e DR; pessoas com EM apresentam DRB11501, DQA10102, e DQB1*0602. É importante que se perceba que a incidência de uma série de doenças auto-imunes segue um gradiente sudeste-noroeste da Europa do Norte (maior incidência) para o Médio Oriente (menor incidência). Este gradiente ocorre, porque a incidência de haplotipos HLA (combinação de genes HLA herdados dos 2 cromossomos em cada célula) susceptíveis aumenta, à medida que nos vamos deslocando do médio Oriente para o noroeste. Deve ser esclarecido que esta relação entre a incidência de uma série de doenças auto-imune e a freqüência de haplotipos HLA susceptíveis não é coincidência, mas resulta do alargamento da agricultura do Médio Oriente para o Norte da Europa, consequentemente, à medida que a agricultura se espalhou para a Europa, existiram elementos ambientais associados com esta expansão, que selecionaram contra estes haplotipos HLA, que estavam presentes nos povos pré-agrícolas da Europa. Quais foram essas pressões ambientais seletivas? No caso da doença celíaca, qualquer um percebe que foi o trigo. O aumento do consumo de trigo incrementou a mortalidade derivada da doença celíaca. Assim, a incidência da doença celíaca e dos seus haplotipos HLA susceptíveis (HLA-B8, HLA-DQ, HLA-DR) é mais baixa nas populações com maior tempo (cronológico) de exposição à agricultura (médio oriente e sul da Europa) e mais elevada nas populações com menor tempo de exposição (Norte da Europa). Estes argumentos também são válidos para a Diabetes Tipo 1, Artrite Reumatóide e Esclerose Múltipla e para uma série de outras doenças auto-imunes. Qual o mecanismo? O trigo/centeio/cevada integral, contêm lectinas (também presentes na aveia, arroz, tomate e leguminosas), que se ligam e causam danos nas células epiteliais gastrointestinais, o que pode aumentar a síntese de receptores do fator de crescimento epidérmico (EGF-R) que existem nessas células, pois o objetivo deste receptor é promover a regeneração das mesmas, após a ligação do EGF (que existe na saliva) ao mesmo (receptor). Estas lectinas podem, através desse receptor, arrastar consigo peptídos dietéticos (proteínas do leite por exemplo) e bacterianos e, se a pessoa tiver os haplotipos HLA susceptíveis, tal pode originar uma doença auto-imune através da simulação molecular, pois existem bactérias e proteínas que contêm seqüências de aminoácidos idênticas às de tecidos do nosso organismo, por exemplo, Albumina Sérica Bovina (ASB), presente no leite de vaca, contém uma seqüência de aminoácidos homóloga ao colágeno humano tipo 1.

Referências (disponíveis em www.pubmed.org ):

1. Cordain L. Cereal grains: humanity’s double edged sword. World Rev Nutr Diet 1999; 84:19-73.

2. Cordain L, Toohey L, Smith MJ, Hickey MS. Modulation of immune function by dietary lectins in rheumatoid arthritis. Brit J Nutr 2000, 83:207-217.

3. Vasconcelos IM, Oliveira JT. Antinutritional properties of plant lectins. Toxicon. 2004 Sep 15;44 (4):385-403

4. Doherty M, Barry RE. Gluten-induced mucosal changes in subjects without overt small-bowel disease. Lancet. 1981 Mar 7;1(8219):517-20.

5. Lochner N, Pittner F, Wirth M, Gabor F. Wheat germ agglutinin binds to the epidermal growth factor receptor of artificial Caco-2 membranes as detected by silver nanoparticle enhanced fluorescence. Pharm Res. 2003 May;20(5):833-9.

6. Pusztai A, Ewen SW, Grant G, Brown DS, Stewart JC, Peumans WJ, Van Damme EJ, Bardocz S. Antinutritive effects of wheat-germ agglutinin and other N-acetylglucosamine-specific lectins. Br J Nutr. 1993 Jul;70(1):313-21.

7. Pusztai A, Greer F, Grant G. Specific uptake of dietary lectins into the systemic circulation of rats. Biochem Soc Trans 1989;17:481-2.

8. Kilpatrick DC, Pusztai A, Grant G, Graham C, Ewen SW. Tomato lectin resists digestion in the mammalian alimentary canal and binds to intestinal villi without deleterious effects. FEBS Lett. 1985 Jun 17;185(2):299-305.

9. Wang Q, Yu LG, Campbell BJ, Milton JD, Rhodes JM. Identification of intact peanut lectin in peripheral venous blood. Lancet. 1998 Dec 5;352(9143):1831-2

No caso do leite, por exemplo, vários estudos epidemiológicos estabeleceram uma correlação muito forte entre consumo deste alimento e prevalência de Esclerose Múltipla..

Referências:

• Agranoff BW, Goldberg D . Diet and the geographical distribution of multiple sclerosis. Lancet 1974;2:1061-66

• Butcher PJ. Milk consumption and multiple sclerosis--an etiological hypothesis. Med Hypotheses. 1986 Feb;19(2):169-78

• Malosse D et al. Correlation between milk and dairy product consumption and multiple sclerosis prevalence: a worldwide study. Neuroepidemiology. 1992;11(4-6):304-12.

• Malosse D, Perron H. Correlation analysis between bovine populations, other farm animals, house pets, and multiple sclerosis prevalence. Neuroepidemiology. 1993;12(1):15-27

• Lauer K. Diet and multiple sclerosis. Neurology. 1997 Aug;49(2 Suppl 2):S55-61.

Foi proposto que a implicação do leite na EM, resulte do mimetismo molecular entre a glicoproteína de oligodendrócito (MOG) e a Butirofilina (representa 20 a 40% do total de proteína da membrana dos glóbulos de gordura do leite).

É, também, possível que a Albumina Sérica Bovina esteja envolvida, pois o epitopo ASB193 da Albumina Sérica Bovina induziu Encefalomielite Autoimune Experimental em ratos, existe homologia estrutural entre a ASB193 e uma porção da proteína básica de mielina e foi observado que pacientes com EM tinham maior resposta proliferativa dos linfócitos T à ASB193.

Referências:

• Stefferl A et al. Butyrophilin, a Milk Protein, Modulates the Encephalitogenic T Cell Response to Myelin Oligodendrocyte Glycoprotein in Experimental Autoimmune Encephalomyelitis. The Journal of Immunology, 2000, 165: 2859–2865.

• Guggenmos J. Antibody Cross-Reactivity between Myelin Oligodendrocyte Glycoprotein and the Milk Protein Butyrophilin in Multiple Sclerosis. The Journal of Immunology, 2004, 172: 661–668.

• Winer S et al. T cells of multiple sclerosis patients target a common environmental peptide that causes encephalitis in mice J Immunol 2001;166: 4751-56

Em relação à vitamina D, aconselho a que vejam o site da DIRECT MS, pois o DR. Embry tem váruios artigos seus e de outros investigadores disponíveis para todos.

www.direct-ms.org/...

Cumprimentos

JM

jmartinez

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