Risco da EM nas mulheres ligado às hormonas
Níveis baixos de testosterona podem aumentar o risco de desenvolver esclerose múltipla (EM) nas mulheres, de acordo com um estudo Italiano publicado recentemente.
Os investigadores do Departamento de Ciências Neurológicas da Universidade de Roma compararam os níveis das hormonas sexuais em 35 mulheres e 25 homens com esclerose múltipla (EM) recorrente remitente, e 36 controlos saudáveis.
Os doentes com EM tinham a doença há 6 anos (média) e nunca tinham efectuado tratamento com terapêuticas modificadoras da doença. Os doentes do sexo feminino tinham ciclos menstruais normais e nunca tinham tomado contraceptivos orais ou efectuado terapêutica hormonal de substituição.
Os investigadores avaliaram os níveis séricos de FSH (hormona estimuladora dos folículos), LH (hormona luteinizante), estradiol, testosterona e sulfato de dehidroepiandrosterona.
Os níveis hormonais das mulheres foram avaliados uma vez durante a fase folicular e uma vez durante a fase luteínica, altura em que também foi medido o seu nível de progesterona.
Os investigadores não encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os níveis hormonais dos doentes com EM do sexo masculino e os controlos.
Mas descobriram que as mulheres com EM tinham concentrações mais baixas de testosterona do que os controlos em ambas as fases menstruais. Tinham também níveis mais baixos de progesterona.
Os investigadores utilizaram então a RMN para avaliar se existia alguma relação entre os níveis hormonais e o tipo e gravidade de lesão cerebral nos doentes com EM.
Nos doentes do sexo feminino, níveis anormalmente baixos de testosterona estavam associados a um aumento da inflamação no cérebro. Níveis anormalmente elevados de testosterona estavam associados a uma maior lesão cerebral e a um aumento da incapacidade.
No entanto, os investigadores não descobriram qualquer associação entre os níveis de testosterona e a lesão cerebral nos doentes com EM do sexo masculino, apesar de terem encontrado um aumento da lesão cerebral em doentes com EM do sexo masculino com níveis anormalmente elevados de estrogénio.
Os investigadores deste estudo, publicado na revista Journal of Neurology, Neurosurgery, and Psychiatry referiram que este estudo leva-nos mais próximo de compreender o papel exacto que as hormonas desempenham nesta doença e certamente merece mais investigação.
