A cannabis e os canabinóides na prática clínica
Planta
Cannabis sativa L. ssp. indica LAM. et CRONQ. [Syn.: Cannabis sativa L. var. indica LAM.; canhâmo Indiano; até 5 m de altura, dióica (2-sexos), floração anual ou bianual com tronco longo, folhas com 3 a 7 partes; plantas femininas com folhagem mais densa, inflorescências (cabeça das flores) nas gemas axilares]
Distribuição
Planta cultivada desde a antiguidade, de origem incerta, possivelmente Próximo ou Médio Oriente
Cannabis
A cannabis é distribuída sobre duas formas: as extremidades secas da planta feminina (marijuana) e a resina recolhida das flores e das folhas superiores (haxixe). A concentração de THC na marijuana varia entre 5 e 15%. O haxixe é um pouco mais forte.
Origem
Cultivada em grandes extensões, nas regiões de clima mais quente e seco, como a Índia, Irão, Turquia, Israel, Norte de África e em algumas áreas da América do Sul e do Norte.
Constituintes
Mais de 60 canabinóides diferentes (com o_ Tetrahidrocanabinol-Delta-9 (Delta-9-THC) como o principal componente responsável pelo efeito psicotrópico), alcalóides, flavonóides
Efeitos
Efeitos diversos, entre outros psicotrópicos (actuando na mente, produzindo um estado de euforia agradável com períodos semelhantes a sonhos nos quais as impressões sensoriais são aumentadas ou alteradas; no entanto, e dependendo do humor de base, também há a possibilidade de originar sensações negativas como o medo, pânico e estados psicóticos), antiemético (anti-vómito), anticonvulsivante e analgésico (tira as dores)
Áreas de aplicação
Devido aos seus efeitos psicotrópicos, actualmente não são possíveis quaisquer aplicações terapêuticas; já foi utilizada para diferentes indicações, por exemplo insónias, nevralgias, dores reumáticas dolorosas e problemas gastrointestinais.
Legislação
Na maioria dos países do mundo, a posse e venda de cannabis é ilegal.
No entanto, no ano de 2001 verificou-se uma tendência, em alguns Estados-Membros da União Europeia, para propor e promulgar alterações jurídicas no sentido de estabelecer uma diferença mais clara entre os consumidores de droga e outros autores de infracções relacionadas com drogas e para distinguir a cannabis de outras substâncias ilícitas. Os países estão a considerar várias hipóteses que podem incluir um sistema de tribunais mais especializados ou uma alteração da lei ou da política relativa aos consumidores.
Isto é especialmente verdadeiro em Portugal, que deixou de considerar crime o consumo de droga, a aquisição e a posse para consumo próprio, tendo passado a sancionar tais infracções de forma administrativa através das comissões para a dissuasão da toxicodependência, criadas em Julho de 2001. As comissões são compostas por três membros (nomeados pelo Ministério da Justiça, da Saúde e por um membro do governo responsável pelo domínio da toxicodependência), uma equipa técnica composta por três a cinco profissionais (psicólogos, assistentes sociais e juristas) e por pessoal administrativo. Os casos são avaliados individualmente e os relatórios da autoria da equipa técnica fundamentam as decisões dos membros quanto aos procedimentos e/ou às sanções necessárias.
Por outro lado existe o caso extremo da Holanda que se torna, uma vez mais, pioneira no que respeita às questões das drogas leves. Depois da liberalização do consumo de cannabis em bares e cafés, o governo holandês autorizou a utilização de cannabis com fins medicinais.
A partir de 1 de Setembro de 2003, os médicos holandeses estão autorizados a receitar cannabis a doentes que sofram de SIDA, cancro, esclerose múltipla e síndroma de Tourette e que apresentem um quadro clínico de dores crónicas, náuseas e falta de apetite.
A medida foi regulamentada pelo governo holandês, mas a prescrição desta droga só é recomendada quando todos os restantes tratamentos convencionais tiverem falhado.
O Governo holandês, na apresentação desta nova medida, recomendou ainda que a terapia baseada na cannabis seja feita através da inalação de vapores ou pela infusão das folhas, rejeitando assim a ideia de que o produto deva ser fumado.
Além das farmácias, também 80 hospitais e 400 médicos estão autorizados a fornecer doses de 5 g de SIMM18, a designação usada para a cannabis medicinal.



